A autoaceitação está na moda

autoaceitação

Pensei muito em escrever sobre esse tema, não sabia se eu devia fugir tanto da proposta da minha coluna, mas também tenho como base que moda é comportamento, e pensando assim, não estou fugindo do meu tema inicial. A diferença é que dessa vez não vou falar sobre modelagens, cores e tecidos que devemos apostar na próxima estação, mas sobre as cores, modelagens e texturas que precisamos encontrar dentro de nós, pois elas com certeza vão refletir na nossa estética.

Vivemos em uma época muito chata. Me desculpem a sinceridade. É muito mimimi, nada pode, marchinha de carnaval é preconceituosa, o linguajar da minha vó é discriminatório, dependendo da fantasia que escolhemos é apropriação religiosa. Dá medo até de respirar fundo, pois vão te julgar de alguma maneira.

Concordo plenamente que vivemos em uma sociedade extremamente preconceituosa, racista, machista e mais. Precisamos sim lutar contra velhos paradigmas, dogmas, ideias errôneas que foram colocadas na nossa cabeça quando éramos crianças, pois nossos pais e avós achavam que aquilo era certo, mas ir para a outra ponta do ice Berg também é extremo e separatista. E estou citando essas situações para chegar a uma específica. Hoje em dia somos obrigadas a nos amar, nos aceitar.

Primeiro, não sou obrigada A NADA. Apesar de vivermos em um mundo de dualidades, o que é certo para mim, pode não ser para você e vice versa, então não vamos obrigar ninguém a viver dentro dos seus padrões. Segundo, de tanto forçarem a barra de que as mulheres precisam se aceitar da maneira que são, com seus corpos, da maneira que são, isso virou uma paranoia. Já me culpei muito por não conseguir me aceitar, me senti ingrata, coisa que não sou. Me olhar no espelho e não gostar do que vejo me faz sentir pior ainda, pois além de eu não gostar da minha imagem, me sinto pior ainda por ser uma mulher que não consegue se aceitar, que não se empodera, que é ingrata, e por aí vai nossa cabeça.

Precisamos sim nos amar, sermos extremamente grata por termos esse corpo, saúde, mobilidade, vigor. Mas se algo nos incomoda e pode ser mudado, porque não? Se eu gosto da minha imagem mais magra, já que sou muito baixa e com muitas curvas, qual o problema? Se a mudança da imagem é por mim, e não para os outros, qual o problema de eu querer mudar? Quem come hambúrguer quando quer e está super feliz consigo mesma é mais feliz que eu? Com certeza no momento do hambúrguer sim, mas existem prioridades na vida e a minha hoje é me olhar no espelho e me abraçar, sorrir para mim mesma. Não sou ingrata por não me aceitar esteticamente. Não me odeio, não me rejeito, longe disso, mas tá tudo bem você querer mudar umas coisinhas, desde que seja por você.

Não somos menos por não conseguirmos ainda ter uma total auto aceitação. Isso é um caminho, um percurso que podemos percorrer juntas. É preciso estar em paz, estar florida por dentro para isso transbordar para fora. As roupas nos ajudam muito disfarçar os pontos que não nos favorecem, elas servem de escudo para nos sentirmos mais vibrantes e lindas e é mais do que válido fazermos uso delas da maneira correta enquanto não estamos 100% em nossa própria pele.

Tá tudo bem ter momentos de altos e baixos, não se preocupe com os julgamentos de quem preza uma obrigatoriedade em ser empoderada e se aceitar “no matter what”. Somos verdadeiras dentro das nossas verdades, vamos caminhar juntas e no nosso tempo. Vamos criar nossa própria estampa, que seja colorida, em um tecido fluido, leve, até um pouco transparente, assim podemos mesclar nossos corpos com a nossa essência.

 

Por Laura Buoro

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