Cisnes Negros

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“Não importa quantos cisnes brancos você veja ao longo da vida, isso nunca lhe dará certeza que cisnes negros não existem” – Karl Popper.

Muitos de nós seguimos um planejamento em nossas vidas e geralmente esquecemos de levar em consideração aqueles eventos ou casualidades que não são esperadas e, em muitos momentos, podem representar um impacto considerável em nossas vidas, demandando uma guinada de 180° em nosso planejamento inicial. Infelizmente ou felizmente o acaso está aí para deixar a vida mais emocionante e colocar a prova nosso senso de adaptabilidade e resiliência. 

Na economia esse tipo de causalidade pode gerar um certo pânico nos mercados e, como resultado, uma mudança no ponto de equilíbrio que não era prevista pelos agentes participantes de um determinado mercado

Nassim Taleb, um dos mais respeitados investidores do mercado financeiro, matemático e autor de diversos best-sellers foi o criador da teoria dos Cisnes Negros. Por definição um ‘cisne negro’ é aquele evento que tem uma baixa probabilidade de acontecer, porém o seu impacto é extremamente elevado. 

A origem da teoria faz referência a crença que todos os cisnes no mundo eram brancos, não se havia considerado que poderia existir uma ave de outra cor. Porém em um determinado momento da história um cisne negro foi descoberto e colocou por terra todas as hipóteses da existência única e exclusiva de aves brancas. 

Eventos deste tipo muitas vezes são subestimados pela probabilidade baixíssima de acontecer, porém quando ocorrem o comportamento humano tende a encarar como algo que já era esperado de alguma forma e busca adaptar-se o mais rápido possível as consequências. 

Durante os últimos trinta anos tivemos uma série de eventos cisnes negros no mundo, tais como o surgimento da Internet, ataques de 11 setembro, crise econômica 2008 (subprime) e o recente corona Vírus. Nenhum destes acontecimentos fora previsto com antecedência por acadêmicos, empresas ou qualquer outro player, considerando que a tendência é sempre conhecemos os eventos que marcaram a história, mas não exatamente o fator que desencadeou evento em si. 

Para contextualizarmos a teoria dos cisnes negros e eventos, aproveito para abordar o impacto do coronavírus nos mercados financeiros. Nas últimas semanas houve movimentos inesperados nos mercados mundiais e uma forte valorização de ‘ativos de segurança’, como por exemplo o ouro. 

Com o aumento exponencial dos casos de coronavirus ao redor do mundo, os agentes atuantes no mercado buscaram agir em linha com suas estratégias e se proteger de uma possível guinada negativa. Aqui no Brasil, empresas exportadoras de commodities e frigoríficos sofreram nos pregões na bolsa na última semana, devido a tensão do investidor quanto ao futuro das relações com a China e com o resto do mundo, sobretudo pelo o avanço do vírus pelo globo. 

Muito já se fala em uma desaceleração da economia global devido ao impacto desta epidemia, já que o epicentro deste surto é nada mais, nada menos que uma das maiores economias globais, que ‘contamina’ diretamente outros mercados ligados direta ou indiretamente com a China.  

Diversos economistas consideram o impacto desse tipo de evento somente no curto prazo, considerando que são incapazes de alterar de forma ‘estrutural’ as relações econômicas ou os fundamentos dos mercados. 

De qualquer forma esse tipo de acontecimento causou e ainda poderá causar prejuízos aos participantes do mercado e ainda afetará o desempenho econômico mundial neste ano.

Desta forma podemos entender melhor o impacto de um evento que sequer foi considerado ou tido como possível na economia global. A ideia aqui é demonstrar que casualidades acontecem o tempo todo, mas nem todas são prejudiciais como o coronavirus. O advento da internet, por exemplo, gerou um impacto imensurável na vida das pessoas, desde a forma de produção até as relações interpessoais de forma positiva. 

É necessário termos ciência da existência de ‘cisnes negros’  e, mesmo que não possamos mensurar ou prevê-los, devemos nos preparar da melhor maneira possível para que quando aconteça. Assim desenvolvemos a habilidade de compreender com melhor exatidão esse tipo de evento e deter ferramentas para agir, tanto nos mercados e sobretudo em nossas vidas pessoais. 

Matheus Spina 

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