EUA x IRÃ e os impactos em nossa economia! 

guerra

“Um soberano jamais deve colocar em ação um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira. (Sun Tzu)”

Mal começamos o ano e já nos deparamos com um acontecimento que poderá impactar drasticamente a dinâmica política e econômica em todo o mundo.

No dia 3 de janeiro de 2020 o governo norte-americano publicou mundialmente a autoria pela morte do general Iraniano Qassem Soleimani através de um ataque ordenado pelo então presidente dos Estados Unidos. Trump justifica o ataque à Soleimani informando que as forças militares iranianas planejavam ataques aos Americanos no oriente médio e, mediante a isto, agiu antes para dissuadir quaisquer empreitadas contra a soberania norte-americana na região.

Considerando que Soleimani era um dos líderes político-militar mais influentes na região, o governo iraniano prometeu retaliar os EUA pelo ataque e tal cenário coloca em cheque a dinâmica política e econômica do mundo até o momento. Por esse motivo muitos analistas políticos caracterizaram tal decisão do governo norte-americano como precipitada, ainda mais levando em consideração o cenário doméstico nos Estados Unidos, onde o Trump enfrenta um processo de impeachment e logo começara a corrida presidencial.

Obviamente que o viés político por detrás desse ataque é o que será o grande foco nos próximos dias, porém neste texto gostaria de abordar impactos econômicos que serão reflexo do aumento da tensão entre EUA e IRÃ.

Quando a economia global tendia à uma certa calmaria após uma possível tratativa em relação a disputa comercial que ganhou o cenário econômico no ano de 2019 entre EUA x CHINA, que vislumbrava uma diminuição da volatilidade dos mercados e uma melhora na expectativa para o crescimento econômico mundial, a tensão com o oriente médio põe em segundo plano essas novas expectativas e voltamos a ter uma cautela quando ao futuro econômico global.

A maior preocupação até o momento é em relação ao abastecimento e produção de petróleo no mundo, uma vez que o Irã e o Iraque estão dentre os principais produtores de petróleo do mundo. Outro ponto a destacar é a região do Estreito de Ormuz, região estratégia iraniana a qual se transporta 60% de todo petróleo mundial, que poderá ser uma ‘arma’ do Irã na retaliação contra o EUA.

O grande entrave aqui é que os impactos do fornecimento desta commodity e consequentemente o aumento expressivo dos preços do petróleo poderão impactar a economia global, sobretudo quando se trata do custo energético aos países, como por exemplo o Brasil, que são importadores de ‘energia’ e terá um impacto significativo na estrutura de custos de toda a economia, desde a grande indústria até o consumidor final.

Recentemente já observamos um reajuste considerável nos preços dos combustíveis, porém as tensões envolvendo dois dos maiores produtores de petróleo mundial poderá pressionar ainda mais os valores em nosso mercado, visto que desde 2017 os reajustes da Petrobras seguem as cotações internacionais do petróleo, como uma forma de manter a margem de lucro frente a importação e a exportação. Entretanto, por mais que o impacto seja prejudicial aos consumidores e que possa pressionar ainda mais a inflação doméstica, a balança comercial poderá se favorecer dessa tensão externa, considerando que a princípio estamos exportando mais petróleo do que importando, isso será benéfico caso haja um aumento da cotação internacional.

Quaisquer atitudes que remetem ao terrorismo ou ao incentivo a uma guerra são repudiáveis, seja lá qual for os interesses ou as ‘justificativas’ que motivaram tais atitudes. Particularmente acredito que esse ataque poderá ter muitos outros desdobramentos não só do ponto de vista econômico, mas da dinâmica política e da paz mundial. Torço para que os próximos capítulos dessa história não resultem em uma guerra ou em qualquer tipo de conflito onde aqueles que decidem por essa opção nunca estará em risco.

Matheus Spina

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