Maternidade e sororidade

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Quinta-feira difícil. No trabalho, em casa, dentro de mim. A cobrança pela maternidade perfeita ganhava fôlego cada vez que eu abria o feed do Instagram. Veja bem, não era culpa delas, longe disso. Era a minha expectativa e realidade que estavam bem longe de se encontrar.

Fim do dia. José no carro, já cansado de brincar o dia todo com todos à sua volta, e eu, claro, não era um deles. Culpa. Muita culpa. Por ser egoísta e fazer o que gosto, por deixar ele com a minha mãe, e muitas vezes só chegar em casa depois das 20h, exatamente como aquela quinta-feira.

Daí recebo um bilhete. Simples, genuíno e grandioso. De uma mãe que também sofre, também sente culpa e provavelmente é a expectativa de alguém.

Estranho, né? Nós, mulheres passamos a vida todinha sendo ensinadas a sermos culpadas. Pelo estudo, pelo trabalho, pelo cargo, pelos filhos. E não importa se você é CEO ou mãe 24 horas. Se dá açúcar antes dos dois anos ou chega em casa só às 20h. Nunca está bom.

Ser feliz na maternidade só pode se envolver seu filho (ou seus filhos).

Aqui, não. A mensagem da Elaine me despertou como um clique. Pra quê me comparar com quem não calça os meus sapatos, não vive a minha vida?

Eu não conheço a Elaine. Ela não sabe da minha história, nem como eu me sinto com a maternidade. Mas a Elaine me salvou. Salvou da culpa, do medo, da incerteza.

Salvou porque eu entendi que não é preciso a perfeição para fazer um bom trabalho, e que estamos todas no mesmo barco.

Maternidade e carreira: é tudo sobre nós, para eles

Com certeza conciliar maternidade e carreira é um desafio daqueles de tirar o fôlego. Daqueles trabalhos que, se fôssemos listar as atribuições, ninguém aceitaria. Mas pode ser leves se aprendermos a dar as mãos. A ouvir e aceitar o elogio, a dica, o abraço.

É “dividir o piano” e entender que tá tudo bem não dar conta de tudo, porque o que vale, no final das contas, é saber que seu filho te procura e gruda querendo chamego antes de dormir.

É perceber que ser “eu” nos transforma em uma pessoa melhor para o “nós”. E que não acompanhar sua rotina do dia não te faz menos mãe, ou menos preocupada.

Que nós, mulheres e mãe, conquistemos cada vez mais espaço profissional, para que o pesa diminua, a cobrança cesse e o dia seja mais leve como o sorriso de nossos filhos.

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