O que você precisa saber antes de visitar Versalhes.

03/12/2019
Erika Olímpio
Versalhes

Finalmente um dia livre só para mim! Respiro fundo enquanto arrumo a mochila e confiro se os tickets do trem e da entrada do palácio de Versalhes estão na bolsa. Dia ensolarado, filtro solar: check, garrafinha de água: check.

Tudo certo, vou a pé para a estação de trem, pensando no trajeto de menos de 30 minutos entre Clamart e Versalhes.
O trem chega na hora exata marcada nos painéis indicadores (a “gare” – estação – é velha, mas tem toda a informação necessária pra você não se perder). Entro, escolho o andar de cima, perto da janela. Como é uma quinta feira, fora do horário do rush, o trem está relativamente vazio.

Meu interesse em ver todo o trajeto são dois: adoro viajar de trem e também gostaria de imaginar como as mulheres marcharam, de Paris a Versalhes ha quase 230 anos, em 1789, no início da Revolução Francesa.

Aposto que você nunca tinha ouvido falar desse episódio: A Marcha das Mulheres parisienses, que insatisfeitas com o alto preço dos alimentos, principalmente do pão, protestavam nos mercados da cidade. A ideia inicial era ir somente até a prefeitura de Paris, onde mais de seis mil pessoas se juntaram ao protesto. Mas inflamadas pelos líderes da revolução, pegaram armas e partiram para onde o rei se esbaldava em festas luxuosas, em Versalhes, num trajeto de 14 quilômetros, parecido com o caminho que eu via agora, pela janela do trem.

Cheguei em Versalhes e como já previa, uma fila enorme me esperava para conseguir entrar no palácio. Enquanto isso, continuei lendo sobre a Marcha das Mulheres:
Um dia inteiro e nada do rei Luis XVI recebê-las. Uma multidão de quase 20 mil pessoas cercava o palácio. Ao final do dia, cansadas e revoltadas com o descaso, as mulheres invadem o palácio e seguem para o quarto da rainha Maria Antonieta. Como não a encontram, destroem o quarto todo.

Neste momento consigo entrar no Palácio e depois de alguns aposentos entro no quarto de Maria Antonieta, ricamente reconstruído e me impressiono com os detalhes, a opulência dos móveis e a fartura das cortinas.
Do jardim, vejo a sacada, onde a família real resolveu aparecer para acalmar o povo. Acha que adiantou? Naquela altura, as mulheres já exigiam o retorno do rei para Paris, afim de resolver a crise fiscal e política que pairava sob a França. (Ele voltou e nós já sabemos que falhou e, que por conta disso, algumas cabeças rolaram).

Chega de história, vamos passear!

Versalhes

Deixo a sacada e a história para trás e dou de cara com a Fonte de Latona e o Grande Canal ao fundo, num cenário de tirar o fôlego. Ando por mais de duas horas em cada cantinho. Por mais que eu tente descrever aqui, não conseguirei, pois a magnitude realmente impressiona.

Entretanto, o que originou toda aquela beleza foi o acúmulo de riqueza pra poucas pessoas às custas da miséria do povo. Versalhes é lindo, mas também é mesquinho.

Felizmente, hoje o palácio é patrimônio histórico e símbolo de algo que passou, com belezas congeladas no tempo, aberto para pessoas do mundo todo.

O passeio vale a pena? Certamente, é inesquecível!!
Uma dica aqui: fazer picnic lá é normal e as pessoas curtem muito sentar no gramado, curtir a paisagem, sem pressa. Leve lanchinhos sem vergonha alguma.

E quando você for, pense que muitas mulheres em sua simplicidade e anonimato estiveram ali e foram essenciais para tornar a França um país mais justo.
Libertè, egalitè, fraternitè!
Liberdade, igualdade, fraternidade!

Se quiser mais dicas de como organizar seu passeio para Versalhes, ou se quiser conversar mais sobre as mulheres da marcha, me mande um email!
erikaolimpio@hotmail.com

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