Será o fim da era fast fashion?

Fast Fashion

Sempre bato na tecla de moda ser comportamento e do fato de podermos contar a história mundial através das vestimentas e o comportamento de consumo. Desde os anos 2000 já ouvi e já falei muito de uma “falta de moda”, me perguntava como estávamos contando nossa história em uma era tão sem identidade. Ledo engano.

Nos anos 2000 foi o início da gigante fast fashion. A tendência até então reservada para poucos de uma maneira imediata, passa a ser possível em questão de dias após os desfiles internacionais. A marca americana Forever 21 chegava para mostrar ao mundo que todo mundo podia vestir a tendência do momento e vendia de vento em polpa suas peças de 5 dólares. Eu mesma contava os dias para viajar e poder comprar muitas peças lindas em uma época onde não encontrávamos isso no Brasil e o dólar era a metade de hoje. Uma blusinha a cara da Gucci por R$10? Não importava a qualidade e muito menos como aquilo tudo era produzido, só queria comprar. E nesse momento a história estava sim sendo escrita e preparada para o que estamos passando agora.

Foram anos em ascensão, a Forever 21 chegou ao Brasil, marcas brasileiras como C&A, Renner e Riachuelo surfaram nessa onda e se tornaram mais fashion. Até que esse consumo desenfreado se deparou com a crise financeira e a geração Z. Uma nova geração que chegou com voz ativa e com interesses que vão muito além de um logotipo. Quem fabrica essas peças? Quais materiais são usados? Qual a responsabilidade ambiental que a marca tem? Porque gastar tanto em “modinhas” se podemos comprar os clássicos em brechós?

Há alguns anos um marketing ambiental era suficiente para apaziguar os millenials, mas hoje é necessário muito mais para suprir a demanda ecológica da estridente geração Z. Dados de varejo coletados pela GlobalData indicam que a indústria da moda de segunda mão nos EUA valha hoje 24 bilhões de dólares. A previsão é de que, em 2028, esse número passe para 68 bilhões, enquanto o fast fashion ficaria na marca dos 44 bilhões.

Grandes marcas já entenderam qual o novo caminho a ser seguido, como a Gucci, que em seu último desfile internacional fez seu primeiro desfile 100% carbon neutral e prometeu zerar as emissões de carbono de suas operações.

Em meio a tantas mudanças, a rainha do fast fashion, Forever 21, declara sua falência, como vocês podem ler nessa matéria completa que saiu na editoria de economia do Uol (clique aqui) E assim vamos vendo a história sendo escrita, comportamentos mudados e as marcas que não se encaixarem no discurso da nova geração precisará tomar o mesmo rumo que a Forever 21. O mundo está mudando, o comportamento está mudando, não olhamos mais apenas para o próprio umbigo, ou próprio espelho. Queremos cuidar do todo e estamos nos adequando a uma nova realidade econômica e ambiental, ou ao menos é o que devemos fazer.
Vale pensar qual é o nosso comportamento em relação ao consumo desenfreado, não?

Por Laura Buoro

 

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